♦Oração

Mediações e Reflexões sobre:

Novembro é mês dedicado às Almas do Purgatório

O Mês das Almas  do Purgatório

Como os Santos ajudam as almas?

Já vimos que a sorte das almas está em nossas mãos, porque só nós podemos merecer e ganhar por elas. É vontade de Deus que elas dependam de nós.

 

“Deus, escreve o Pe. Faber, nos deu tal poder sobre a sorte dos mortos, que esta sorte parece depender mais da terra que do céu”

 

Somos nós os salvadores e auxiliadores das almas do purgatório. A Igreja definiu que nossas orações podem valer aos mortos, mas não há uma definição sobre a oração dos Santos neste sentido. Por quê? Naturalmente, não houve necessidade de qualquer definição. Os protestantes negaram o valor da intercessão dos Santos em nosso favor, mas nada disseram a respeito da intercessão dos Santos em favor das almas, porque negavam o purgatório. Ora, a Igreja implora no Ritual a intercessão dos Santos pelos mortos: “Subvenite… Santos do céu, vinde em seu auxílio, Anjos do céu, vinde, recebei a sua alma”… Como, pois, os Santos ajudam os mortos?

 

1º Pedem que as satisfações dos vivos sejam aceitas perante Deus.

 

2º Pedem a Deus que os vivos sejam levados a ajudar os mortos e satisfazer por eles, que a devoção pelas almas sofredoras se incentive cada vez mais.

 

3º Podem pedir a Nosso Senhor que a libertação das almas se faça mais depressa por uma intensidade das penas que abrevie este tempo mais longo de sofrimento.

 

4º Podem rogar a Nosso Senhor que pelos méritos e satisfações que tiveram eles quando estavam neste mundo, possam ser utilizados estes méritos pelas almas e poderão também oferecer os méritos do Cristo, de Maria e de outros Santos.

 

Enfim, dizem seguros teólogos, há muitos meios dos Santos poderem ajudar as santas almas do purgatório. Esta crença é muito antiga na Igreja. Encontramo-la nos monumentos, as devoções populares de séculos, e é já tradicional na devoção de todo mundo católico, recorrer à intercessão dos Santos em favor das almas do purgatório.

 

No dia de Todos os Santos a Igreja nos convida a meditar na grandeza e no poder da santidade. Mostra-nos os modelos e pede-nos que os imitemos. Glorifica os eleitos na beleza da sua Liturgia, cantando o triunfo dos seus filhos no céu. Depois, ao cair da tarde, já se ouvem dobrar os sinos, já nas Vésperas tudo se muda. Após as Vésperas festivas de Todos os Santos, vem o luto e o Ofício dos defuntos. Sucedem-se os Misereres e os De Profundis. É a vez da Igreja Padecente. Nestes dois dias, 1 e 2 de Novembro, vivemos o dogma da Comunhão dos Santos. As três Igrejas unidas, orando, e numa admirável comunicação de graças e de méritos e de sufrágios.

 

Este dia, dizia o Ven. Olier, é talvez o maior dia da Liturgia da Igreja para os fiéis. É o dia do Cristo Total, do Cristo unido a nós, do Corpo Místico de Cristo, cabeça das três Igrejas. Como podemos utilizar a intercessão dos Santos em favor das almas? Certamente, não há dúvida alguma, eles na glória podem interceder por nós e nos protegerem. Pois utilizemos esta intercessão em favor das almas. Que eles nos ajudem a ajudar as almas. Que nos inspirem muita compaixão e devoção pelas almas, que nos façam anjos de caridade das benditas almas sofredoras. Eis como os Santos podem ajudar as almas.

 

Exemplo

A Obra Expiatória de Montligeon publicou com aprovação da autoridade eclesiástica, o seguinte fato:

 

No mês de Setembro de 1870, uma religiosa do Mosteiro das Irmãs Redentoristas de Malines, na Bélgica, sentiu repentinamente uma profunda tristeza que não a deixava dia e noite. A pobre Soror Maria Serafina do Sagrado Coração tornou-se um enigma para si própria e a comunidade. Pouco depois, chega a notícia da morte do pai da boa Irmã, nos campos de combate. Desde este dia, a religiosa começou a ouvir gemidos angustiosos e uma voz que lhe diz sempre:

 

— Minha filha querida, tem piedade de mim! Tem piedade de mim!

 

No dia 4 de Outubro novos tormentos para a Irmã e uma dor de cabeça insuportável. No dia 14 à noite, ao deitar-se, viu ela entre a cama e a parede da cela o pai cercado de chamas e imerso numa tristeza profunda. Não pôde reter um grito de dor e de espanto. No dia 15 à mesma hora, ao recitar a Salve Rainha, viu de novo o pai entre chamas. A esta vista, perguntou a Irmã ao pai se havia ele cometido alguma injustiça nos seus negócios.

 

— Não, responde ele, não cometi injustiça alguma. Sofro pelas minhas impaciências contínuas e outras faltas que não te posso dizer.

 

No dia 27, nova aparição. Desta vez não estava cercado de chamas. Queixou-se de que não era aliviado porque não rezaram bastante por ele.

 

— Meu pai, não sabes que nós religiosas não podemos rezar o dia todo, temos os trabalhos da Regra?

 

— Eu não peço isto, diz ele, quero que apliquem por mim as intenções, as indulgências. Se não me ajudares, eu te hei de atormentar. Deus o permitiu! Oh! Minha filha, lembra-te que te ofereceste a Nosso Senhor como vítima. Eis a consequência. Olha, olha, minha filha, esta cisterna cheia de fogo em que estou mergulhado! Somos aqui centenas. Oh! Se soubessem o que é o purgatório, haviam de sofrer tudo, tudo para evitar e para aliviar as almas que lá estão cativas. Deves ser uma religiosa muito santa, minha filha, e observar bem a Santa Regra, ainda nos pontos mais insignificantes. O purgatório das religiosas, oh! É uma coisa terrível, filha!

 

Soror Maria Serafina viu, realmente, uma cisterna em chamas donde saiam nuvens negras de fumo. E o pai desapareceu como que abrasado, sufocado horrorosamente, sedento, a abrir a boca mostrando a língua ressequida:

 

— Tenho sede, minha filha, tenho sede!

 

No dia seguinte a mesma aparição dolorosa:

 

— Minha filha, há muito tempo que eu não te vejo!

 

— Meu pai, ontem mesmo…

 

— Oh! Parece-me uma eternidade… Se eu ficar no purgatório três meses, será uma eternidade… Estava condenado a diversos anos, mas devo a Nossa Senhora, que intercedeu por mim, ficar reduzida a pena a alguns meses apenas.

 

Esta graça de poder vir pedir orações, o bom homem alcançou pelas suas boas obras, pois era extremamente caridoso e devoto de Maria. Comungava em todas as festas da Virgem e ajudou muito na fundação de uma casa de caridade das Irmãzinhas dos pobres da Diocese.

 

Soror Maria Serafina fez diversas perguntas ao pai:

 

— As almas do purgatório conhecem os que rezam por elas e podem rezar por nós?

 

— Sim, minha filha.

 

— Estas almas sofrem ao saberem que Deus é ofendido no meio de suas famílias e no mundo?

 

— Sim.

 

A Irmã, orientada pelo seu confessor e pela Superiora, continuou a interrogar o pai:

 

— É verdade, meu pai, que todos os tormentos da terra e dos mártires estão muito abaixo do sofrimento do purgatório?

 

— Sim, minha filha, é bem verdade tudo isso…

 

Perguntou se todas as pessoas que pertencem à Confraria do Carmo são libertadas no primeiro sábado depois da morte do purgatório.

 

— Sim, respondeu ele, mas é preciso ser fiel às obrigações da Confraria.

 

— É verdade que há almas que devem ficar no purgatório até cinquenta anos?

 

— Sim. Algumas estão condenadas a expiar os seus pecados até o fim do mundo. São almas bem culpadas e estão abandonadas. Há três coisas que Deus pune e que atrai a maldição sobre os homens: a violação do dia do domingo pelo trabalho, o vício impuro que se tornou muito comum, e as blasfêmias. Oh! Minha filha, as blasfêmias são horríveis e provocam a ira de Deus.

 

Desde este dia até à noite de Natal, sempre aparecia a Soror Maria Serafina a alma atormentada do seu bom pai, pela qual ela e a comunidade oravam e faziam penitências. Na primeira missa do Natal, a boa Irmã viu seu pai à hora da elevação, brilhante como o sol, de uma beleza incomparável.

 

— Acabei meu tempo de expiação, filha, venho te agradecer e às tuas Irmãs as orações e sufrágios. Rezarei por todas no céu.

 

E ao entrar na cela, de madrugada, viu a Irmã Serafina mais uma vez a alma do pai resplandecente de luz é de beleza, dizendo:

 

— Pedirei para tua alma, filha, perfeita conformidade com a vontade de Deus e a graça de entrar no céu sem passar pelo purgatório.

 

E desapareceu num oceano de luz e de beleza.

 

Estes fatos se deram de Outubro a Dezembro de 1870 e passaram pelo crivo de um severo e rigoroso exame das autoridades eclesiásticas antes de serem publicados e divulgados amplamente pela Obra Expiatória de Nossa Senhora de Montiglion, na França.

 

Observações:

(1) Para lucrar as indulgências, seguir conforme foi apresentado no Índice deste livro, uma vez que não é mais usado a questão de anos/dias para indulgências.

(2) Idem.

 

 

 

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