♦Oração

Mediações e Reflexões sobre:

Novembro é mês dedicado às Almas do Purgatório

Almas do Purgatório

 Indulgências

♦Norms on Indulgencias

♦Plenary Indulgencias

♦Enchiridion of Indulgencias

♦What an Indulgence is not

 

QUE SÃO AS INDULGÊNCIAS?

As indulgências são usadas desde os primórdios da Igreja para remir a pena temporal dos pecadores. Elas exigem do penitente ao cumprir as indulgências um profundo amor a Deus e o repúdio radical ao pecado.

 

Após o Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI na Constituição Apostólica Indulgenciarum Doctrina, mostrou aos fiéis o sentido profundo e teológico das indulgências, incitando os católicos ao espírito de contrição e penitência ao realizar as obras indulgenciadas, removendo todo mecanicismo espiritual.

 

De acordo com a referida constituição Apostólica pode-se definir indulgência como: “Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida aos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos“.( Norma 1)[1]

 

Neste sentido continua o Prof. Felipe de Aquino: Em primeiro lugar, é ‘remissão”, isto é, livra, liberta, da “ pena temporal” devida aos pecados  já perdoados. Todo pecado tem duas consequências: o da culpa e o da pena, devido à desordem causada pela culpa. /então para que alguém fique totalmente redimido do pecado é preciso que obtenha de Deus o perdão da culpa, mediante o Sacramento da Reconciliação, e  restaure a ordem violada pelo pecado, cumpra a pena.”[2]

 

Assim, devemos explicar melhor que, todo pecado tem duas consequências: o da culpa e o da pena, devido à desordem causada pela culpa.

 

Conforme as orientações litúrgico-pastorais sobre Indulgências: “As Indulgências não perdoam pecados. Elas são graças especiais e específicas para amadurecer o processo de conversão do fiel arrependido que, tendo sido perdoado, deseja reiniciar uma vida nova”[3].

 

Desta forma, para que alguém fique redimido de seus pecados, é preciso que obtenha de Deus o perdão de sua culpa, por meio do Sacramento da Reconciliação, e, restaure a ordem violada como consequência de seu pecado, cumprindo a pena.

 

         Assim, continua o Prof. Felipe de Aquino: “ Como a justiça de Deus é perfeita, toda violação deve ser reparada, pois Ele é Pai, mas não é paternalista. Deus não é conivente com o mal e nem “ passa por cima das suas consequências”, como se não as tivesse notado. Qualquer pai, mesmo perdoando ao filho os seus erros, não deixa, no entanto, de corrigi-lo para que abandone o erro e repare seus estragos.”[4]

 

É muito importante ainda enfatizar que: “…a expiação das faltas não quer dizer castigo de Deus, mas é exigida para apagar as sequelas do pecado deixadas na alma do pecador. Isto liberta o pecador das suas paixões e aumenta  na sua alma o amor a Deus, que o faz rejeitar todo pecado. Assim, são arrancadas as raízes do pecado que ainda permanecem após o perdão das culpas.”(grifo nosso )[5].

 

Neste sentido, para entender a finalidade das indulgências, concluímos com os ensinamentos das orientações litúrgico-pastorais, que é: “Ajudar os fiéis na satisfação das penas merecidas por seus pecados, mas ainda, e, sobretudo, para nos impulsionar a um maior fervor de caridade[6].

 

POR QUEM SÃO DISPENSADAS

 

Devemos enfatizar também, as indulgências são alcançadas por meio da Igreja, que é a dispensadora da redenção. É somente a Igreja que “distribui e aplica por sua autoridade o tesouro das satisfações de Cristo e da Igreja“.

 

Portanto, a Igreja distribui aos seus filhos os méritos de Cristo e dos santos. Este é o “tesouro da Igreja” . Por meio de sua Encarnação e Paixão, Nosso Senhor Jesus Cristo proporcionou para toda a humanidade um tesouro infinito de graças, sendo que este tesouro Jesus confiou à sua Igreja e mais especificamente a Pedro e seus sucessores deu a chave deste tesouro.

 

 

Vantagens das Indulgências

Todo pecado trás como consequência duas coisas: a culpa e a pena. Pela verdadeira contrição e pelo sacramento da Penitência, ficam perdoadas as culpas e a pena eterna. Deus nos perdoa e nos livra da condenação eterna. Todavia, fica-nos o dever da penitência e da reparação do mal que cometemos. Fica uma dívida que devemos pagar à Justiça de Deus, neste mundo ou no purgatório, se a dor destes pecados não foi tão grande que tudo tivesse remido. Pelas indulgências podemos diminuir e até pagar toda esta pena temporal. Tiramos do tesouro da Igreja, formado pelo Sangue de Cristo, os méritos, e de Maria e dos Justos, o que precisamos para o pagamento de nossas enormes dívidas. É o que demonstram os teólogos.

 

A Igreja, todavia, nunca ensinou que as indulgências nos dispensassem de fazer penitência e levar a cruz da mortificação. Com umas poucas orações e boas obras, quantas graças não podemos obter para nós e para os fiéis defuntos?

 

Três coisas são necessárias para se ganharem indulgências: o estado de graça — em estado de pecado grave não se lucram indulgências. A intenção de lucrar as mesmas. Para isto basta a intenção virtual e podemos já fazer pela manhã a intenção de lucrarmos todas as indulgências anexas às orações e boas obras que praticarmos naquele dia. E, finalmente, é mister praticar as obras prescritas, por exemplo, rezar tais e tais orações, visitas às igrejas, etc. Ora, já pelas suas condições vemos que as indulgências são de grande vantagem para quem as deseja lucrar, pois obriga-o a levar uma vida de estado de graça e procurar se aperfeiçoar sempre para poder lucrá-las com mais segurança. O estímulo das indulgências leva os fiéis a muitas obras meritórias. Para lucrar a indulgência plenária é mister a confissão e a Santa Comunhão e orar nas intenções do Soberano Pontífice, além das orações ou obras prescritas para lucrá-las. Não é um estímulo para a prática dos Sacramentos, e para que tenhamos sempre a consciência limpa? Não percamos o tesouro das indulgências que é riquíssimo na Santa Igreja. A condição da confissão e comunhão para lucrar a indul-gência plenária se satisfaz com a confissão semanal ou de quinze em quinze dias, excetuadas as indulgências do Jubileu do Ano Santo, que exigem uma confissão e comunhão especiais para lucrá-las.

 

O zelo pelas indulgências leva o cristão a ter sempre seu coração livre do pecado e fazer penitência, porque bem sabe, que quanto mais pura for nossa alma diante de Deus, tanto mais méritos pode obter e salvar muitas almas do purgatório.

 

E demais, quantas penitências não deveríamos fazer por tantos e tão grandes pecados que cometemos em nossa vida! Aproveitemos o tesouro das indulgências que irão descontando nossas enormes dívidas, e além do mais, socorrendo tantas pobres almas sofredoras no purgatório. Seremos muito bem recompensados por este grande ato de caridade. Quantas vantagens, pois, nas indulgências! E como se perdem e se desprezam tamanhos tesouros!

 

Indulgências pelos fiéis defuntos

Podemos lucrar indulgências pelos nossos mortos? — Diz Santo Tomás de Aquino com a sua autoridade de Doutor da Igreja:

 

“Não há razão alguma para que a Igreja, que pode transferir os méritos dos vivos, não possa também transferi-los aos mortos, pois Santo Agostinho ensina que as almas dos que morreram na amizade de Deus não são separadas da Igreja”

 

Muito antes de Santo Tomás o Concilio de Arraz ensinou esta doutrina:

 

“É preciso não acreditar que a penitência aproveita só aos vivos e não aos defuntos”

 

Muitos doutores da Igreja, como São Gregório Magno nos seus Diálogos, e outros mais antigos, ensinam esta consoladora doutrina que vem dos primeiros séculos da Igreja.

 

As indulgências podem, pois, servir aos vivos e aos mortos. Em linguagem teológica podem ser aplicadas aos vivos e aos defuntos. Santa Madalena de Pazzis aproveitava quantas indulgências podia lucrar pelos defuntos. Deus a recompensou com uma miraculosa visão. Uma das suas irmãs, muito virtuosa, acabava de falecer e fôra condenada ao purgatório. Santa Madalena se pôs a rezar e ganhar indulgências pela defunta. Havia quinze horas que a morta havia comparecido diante de Deus, quando apareceu à Santa e lhe disse, toda bela e resplandecente: Adeus, ó minha irmã querida!

 

“Ó alma feliz, exclama Santa Madalena, como é grande a vossa glória! Como foi curto vosso purgatório! Vossos restos mortais ainda não foram sepultados e já entrastes na eterna pátria!”

 

Nosso Senhor revelou à grande Santa que esta alma deveria ter um longo purgatório, mas se livrou em tão pouco tempo pelas indulgências que ela havia lucrado pela defunta.

 

Conta-se na Vida de Santa Teresa, a Matriarca do Carmelo, um fato consolador. Uma Carmelita de uma vida muito simples e que em nada se distinguia das outras, veio a falecer, e a Santa a viu subir ao céu com grande glória pouco tempo depois da morte, de sorte que teria tido talvez um brevíssimo purgatório. E como Teresa revelasse grande surpresa com isto, Nosso Senhor lhe disse que aquela religiosa sempre teve grande respeito pelas indulgências da Santa Igreja e durante toda vida sempre se esforçou por ganhar o maior número que lhe foi passível. E isto fez com que tivesse pago a maior parte das suas dívidas para com a Divina Justiça.

 

Aliviemos os sofrimentos de nossos mortos queridos, procurando ganhar por eles muitas e numerosas indulgências. Grande parte deste tesouro é aplicável às almas. Deus aceita sempre esta satisfação dos vivos pelos mortos, diz o grande teólogo Suarez. Talvez haja para nós dificuldades e obstáculos para lucrarmos indulgências, porém Deus sempre as aceita pelas almas do purgatório.

 

O Santo Rosário, a Via Sacra, que riqueza de indulgências para os mortos nos oferecem estas duas práticas piedosas! Recitemos jaculatórias indulgenciadas. É tão fácil repeti-las em toda parte e a toda hora! Duplo proveito: nossa união com Deus e alívio das pobres almas. Vamos, pois, cheios de generosidade aproveitar o tesouro das indulgências em favor do purgatório!

 

Exemplo: O que vale um Requiem

Autores antigos como Dorlandus, na Crônica Cartusiana, e Teófilo Regnaud, em Heter Spirituale — Pars II, Sect. II — narram este fato que por aí às vezes tem sofrido variantes acrescentadas pelo povo:

 

Um rico senhor, de uma fortuna bem considerável, deixou uma herança para o filho, único herdeiro. Este, muito piedoso, lembrou-se logo da alma do pai e quis sufragá-la generosamente. Logo após o enterro do pai, vai a um mosteiro e oferece uma grande soma ao Prior, rogando muitas orações pelo morto querido. No mesmo instante, os monges se reuniram e o Prior lhes disse:

 

“Meus irmãos, acaba do falecer e foi hoje sepultado um grande benfeitor deste convento. Oremos por sua alma”

 

Imediatamente os monges entoaram um “Requiescat in pace”. E o Superior responde: Amen. Logo depois se retiram todos do coro.

 

O moço, filho do benfeitor, admirou-se de tão pouca oração, após ter oferecido tão grande soma.

 

“Tão pouco, diz ele ao Prior, por tão generosa ofera?”

 

O Prior, inspirado por Deus, quis dar uma lição ao jovem e mostrar-lhe o valor da oração. Mandou que os religiosos escrevessem todos num papel estas palavras que rezaram: Requiescat in pace! E depois lho trouxessem. Mandou chamar ao jovem e pôs os papeis num prato de balança, e noutro prato a soma de dinheiro em moedas pesadas, oferecidas pelo benfeitor. Ó prodígio! No mesmo instante o prato da balança pendeu para o lado do papel, com admiração geral. Diante disto, reconheceram todos o quanto vale um Requiescat in pace pelos defuntos. O moço se retirou contente e convencido de que não se podem comparar os bens materiais com os espirituais.

 

A Bem-aventurada Maria de Quito foi arrebatada em êxtase e viu uma mesa cheia de pedrarias e joias e moedas de ouro. Uma voz lhe dizia: Estas são as riquezas oferecidas a todos. Cada um pode delas se servir como queira. Era uma figura das riquezas espirituais das indulgências que todos podemos juntar e aproveitá-las para nossa alma e principalmente em favor das pobres almas do purgatório.

 

(BRANDÃO, Monsenhor Ascânio. Tenhamos Compaixão das Pobres Almas! 30 Meditações e Exemplos sobre o Purgatório e as Almas. 1948, p. 124-130)

 

 

[1] AQUINO, Prof. Felipe. O PURGATÓRIO o que a Igreja ensina. Incluindo “O Tratado do Purgatório” de Santa Catarina de Gênova. P 45

[2]AQUINO, Prof. Felipe. O PURGATÓRIO o que a Igreja ensina. Incluindo “O Tratado do Purgatório” de Santa Catarina de Gênova. P 45

[3] Indulgências- Orientações litúrgico-pastorais. Editora Paulus. p 5

[4] AQUINO, Prof. Felipe. O PURGATÓRIO o que a Igreja ensina. Incluindo “O Tratado do Purgatório” de Santa Catarina de Gênova. P 42

[5] AQUINO, Prof. Felipe. O PURGATÓRIO o que a Igreja ensina. Incluindo “O Tratado do Purgatório” de Santa Catarina de Gênova. P 47

[6] Indulgências- Orientações litúrgico-pastorais. Editora Paulus. p 15

 

 

#1471: The doctrine and practice of indulgences in the Church are closely linked to the effects of the sacrament of Penance.

 

What is an indulgence?

"An indulgence is a remission before God of the temporal punishment due to sins whose guilt has already been forgiven, which the faithful Christian who is duly disposed gains under certain prescribed conditions through the action of the Church which, as the minister of redemption, dispenses and applies with authority the treasury of the satisfactions of Christ and the saints."(81)

 

 

The punishments of sin

#1472: To understand this doctrine and practice of the Church, it is necessary to understand that sin has a double consequence. Grave sin deprives us of communion with God and therefore makes us incapable of eternal life, the privation of which is called the "eternal punishment" of sin. On the other hand every sin, even venial, entails an unhealthy attachment to creatures, which must be purified either here on earth, or after death in the state called Purgatory. This purification frees one from what is called the "temporal punishment" of sin. These two punishments must not be conceived of as a kind of vengeance inflicted by God from without, but as following from the very nature of sin. A conversion which proceeds from a fervent charity can attain the complete purification of the sinner in such a way that no punishment would remain.(83)

 

#1473: The forgiveness of sin and restoration of communion with God entail the remission of the eternal punishment of sin, but temporal punishment of sin remains. While patiently bearing sufferings and trials of all kinds and, when the day comes, serenely facing death, the Christian must strive to accept this temporal punishment of sin as a grace. He should strive by works of mercy and charity, as well as by prayer and the various practices of penance, to put off completely the "old man" and to put on the "new man."(84)

 

In the Communion of Saints

#1474:  The Christian who seeks to purify himself of his sin and to become holy with the help of God's grace is not alone. "The life of each of God's children is joined in Christ and through Christ in a wonderful way to the life of all the other Christian brethren in the supernatural unity of the Mystical Body of Christ, as in a single mystical person."(85)

 

#1475:  In the communion of saints, "a perennial link of charity exists between the faithful who have already reached their heavenly home, those who are expiating their sins in purgatory and those who are still pilgrims on earth. Between them there is, too, an abundant exchange of all good things."(86) In this wonderful exchange, the holiness of one profits others, well beyond the harm that the sin of one could cause others. Thus recourse to the communion of saints lets the contrite sinner be more promptly and efficaciously purified of the punishments for sin.

 

#1476:  We also call these spiritual goods of the communion of saints the Church's treasury, which is "not the sum total of the material goods which have accumulated during the course of the centuries. On the contrary the 'treasury of the Church' is the infinite value, which can never be exhausted, which Christ's merits have before God. They were offered so that the whole of mankind could be set free from sin and attain communion with the Father. In Christ, the Redeemer himself, the satisfactions and merits of his Redemption exist and find their efficacy."(87)

 

#1477: "This treasury includes as well the prayers and good works of the Blessed Virgin Mary. They are truly immense, unfathomable, and even pristine in their value before God. In the treasury, too, are the prayers and good works of all the saints, all those who have followed in the footsteps of Christ the Lord and by his grace have made their lives holy and carried out the mission the Father entrusted to them. In this way they attained their own salvation and at the same time cooperated in saving their brothers in the unity of the Mystical Body."88

 

Obtaining indulgence from God through the Church

#1478:   An indulgence is obtained through the Church who, by virtue of the power of binding and loosing granted her by Christ Jesus, intervenes in favor of individual Christians and opens for them the treasury of the merits of Christ and the saints to obtain from the Father of mercies the remission of the temporal punishments due for their sins. Thus the Church does not want simply to come to the aid of these Christians, but also to spur them to works of devotion, penance, and charity.89

 

#1479:   Since the faithful departed now being purified are also members of the same communion of saints, one way we can help them is to obtain indulgences for them, so that the temporal punishments due for their sins may be remitted.

 

Catechism of the Catholic Church

 

 

 

 

 

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